Anonymous asked: pode me contar se quiser
Anonymous asked: o que anda acontecendo ?
"A maioria das pessoas não está pronta para a morte, a sua ou a dos outros. Ela as choca, as apavora. É como uma grande surpresa. Diabos, não deveria ser nunca. Levo a morte em meu bolso esquerdo. Às vezes, tiro-a do bolso e falo com ela: “Oi, gata, como vai? Quando irá me buscar? Vou estar pronto."
— BUKOWSKI, Charles.
Escrito no seu diário no dia 12/09/1991.
(via
fruir)
"Acho que, se um dia eu tiver filhos e eles ficarem perturbados, não vou dizer a eles que as pessoas passam fome na China nem nada assim, porque isso não mudaria o fato de que eles estão transtornados. E mesmo que alguém esteja muito pior, isso não muda em nada o fato de que você tem o que você tem. É bom e mau."
"Esta coisa terrível de não ter ninguém pra ouvir o meu grito. Esta coisa terrível de estar nesta ilha desde não sei quando. No começo eu esperava, que viesse alguém, um dia. Um avião, um navio, uma nave espacial. Não veio nada, não veio ninguém."
"A dor é tão velha que pode morrer."
"Não falei, não gritei, não chorei. Apenas fingi que não sentia nada."
"Tropeçantes obsessões emolduraram-me com estacas. Os meus olhos se embaraçaram no pecado antes que terminasse o dia, e abraçou para si a cegueira, por amar demais as sombras da noite. Renunciou de ti os horizontes, as auroras, e todas as cores do céu; Os faróis se apagaram pra sempre. Já não há luz que me guie nessa névoa de tormentos árduos e emaranhados. As janelas de minha alma se fecharam por tempestades. De nada me valem as cortinas penduradas […] E agora, o que guiará meus passos ternos por essa terra de esperanças apodrecidas no relento da perdição? O que me protegerá dos assombros que os galhos secos denunciam sem tempo? O que me tirará os fôlegos desnudos, se já não há mais beleza, nem prazeres, nem mesmo um mísero oásis pra me roubar um sorriso passageiro? Em meu rosto escorre as lágrimas de uma alma sem causa, nem sombra, sem vida. Resta-me a ânsia de vagar pelas calçadas da eternidade efêmera, ou rastejar-me nas pegadas do que nunca esteve comigo. Sobre minhas ruínas degeneradas, sopram os ventos da angústia, levanto para outros ares as cinzas mortas de meus pesadumes arcanos. Sigo, e, sem saber pra onde, procuro um féretro, uma fenda, cova, ou apenas um solo que me aceite, pra que eu possa deitar e repousar esse fardo de luto, de minha alma que morreu, e esqueceu de avisar os meus sonhos. O silêncio jazerá sobre minha lápide, sobre mim, e sobre todos os meus gritos que nunca foram cantados antes de dormir."